André a encarou de frente.— Você tinha que ter me contado que nós tínhamos uma filha.Letícia sustentou o olhar.Não recuou.— Eu tinha?Ela respirou fundo antes de continuar.— Às vezes eu me pergunto se tinha. Muitas vezes. Mas saiba de uma coisa: o único motivo que me faz querer deixar tudo às claras agora é saber que, lá na frente, minha filha não vai descobrir que eu menti a vida inteira pra ela.A palavra menti ficou entre os dois.André passou a mão pelos cabelos, inquieto.— Então você não acha que eu tinha o direito de saber? — a voz dele subiu um pouco. — Eu sou o pai dela, Letícia.Ela não elevou o tom.Mas também não suavizou.— Eu dei um pai maravilhoso pra ela, André.O silêncio veio pesado depois disso.Porque ali não era só uma frase.Era uma declaração.Era a confirmação de que, enquanto ele vivia com raiva do passado, outra história estava sendo construída.Sem ele.mAndré riu.Não era humor.Era amargura.— Então tudo é sempre uma escolha sua, não é? — ele disse, b
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