O jato estava ganhando velocidade. O vento quente das turbinas me empurrava para trás, queimando meu rosto, mas eu continuei correndo. Eu via as pernas de Gabriel se arrastando, tentando acompanhar o passo frenético de Roberto, que o puxava para baixo da fuselagem em movimento. Se o avião acelerasse mais um pouco, Gabriel seria sugado pelas rodas ou esmagado.— ATIREM NOS PNEUS! — ouvi o grito de Lady Catherine ecoar pelo hangar, sobrepondo-se ao rugido dos motores.Um estalo seco cortou o ar. Depois outro. O pneu do trem de pouso esquerdo explodiu em uma nuvem de borracha e fumaça. O jato, desequilibrado a oitenta quilômetros por hora, guinou violentamente para a esquerda. A asa raspou no asfalto, lançando uma chuva de faíscas alaranjadas na noite escura. O som de metal rasgando concreto foi ensurdecedor.O avião girou e parou bruscamente, a fuselagem inclinada. O impacto lançou Roberto e Gabriel para longe, rolando pelo asfalto molhado e coberto de querosene vazando.Parei de correr
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