Thales resistiu um pouco, mas logo cedeu ao sono, os olhos pesados e a respiração ficando cada vez mais lenta enquanto eu passava a mão por seu cabelo. O cheiro de tinta ainda impregnava o quarto, mas agora parecia menos agressivo, quase reconfortante. Fiquei observando ele dormir, pensando em como a infância deveria ser sempre assim. Como eu deveria ser capaz de proporcionar isso a ele. Desci as escadas devagar. A luz da cozinha estava acesa, mas só um feixe amarelado escapava pela porta entreaberta. Fiquei parado no corredor, ouvindo o som do filtro de água e, depois, um movimento de cadeira contra o chão. Isabela estava sentada à mesa, ainda com a camiseta manchada, as mãos cruzadas ao redor de um copo de vidro. — Ele dormiu? — perguntou, sem levantar o olha
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