LIAM MERCER Enquanto eu andava pelas ruas escuras, os prédios gigantescos de Manhattan brilhavam ao longe. Aquela era a cidade dela. Aquelas luzes representavam o império da família dela. E eu não passava de uma formiga caminhando no asfalto molhado. O que me corroía por dentro, o veneno que inflamava a minha raiva, era a ilusão. Victoria brincou de ser pobre comigo. Essa era a verdade que o meu orgulho não conseguia engolir. Ela vestiu suéteres simples, pegou o metrô, sentou na cadeira de madeira quebrada do meu apartamento e dividiu uma caixa de pizza barata comigo. Para ela, aquilo devia ser uma aventura romântica e exótica. Uma fuga emocionante da vida perfeita e controlada dela. Ela desceu do trono para visitar o mundo real e experimentou a pobreza como se fosse uma turista. Mas ela sempre teve uma rede de segurança. Se o mundo desabasse, se a conta bancária ficasse negativa, se o teto do apartamento desabasse, ela só precisava estalar os dedos. Um exército de advogados, segu
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