LIAM MERCER Eu caminhei até a mesa, peguei as chaves do apartamento e deixei as sobre o balcão da cozinha para o proprietário encontrar no dia seguinte. Eu não me despedi de ninguém. Eu não deixei cartas, não deixei bilhetes, não deixei rastros. A única coisa que eu levei comigo, escondida no fundo falso da minha mochila de lona, foi a primeira página do nosso relatório de Estratégia de Negócios. Aquele pedaço de papel que tinha um A+ vermelho e a caligrafia elegante de Victoria nas margens. Era o meu único tesouro. A única prova de que, por um breve e luminoso instante na minha vida escrota, eu fui amado por uma rainha. Desci as escadas do prédio pulando os degraus, ajeitei a mochila pesada no ombro e caminhei pela rua escura até a estação de metrô. A viagem até a Penn Station pareceu durar séculos e, ao mesmo tempo, foi rápida demais. A estação de trens de Manhattan, mesmo às três horas da manhã, era um labirinto monumental de concreto, luzes fluorescentes e vozes ecoando pelos a
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