A noite com Dante foi a coisa mais real que já vivi.Cada toque, cada gemido, cada palavra rouca sussurrada no escuro — tudo isso queimou em mim como fogo puro, sem cinzas, sem reservas. Eu o quis. Eu o quero. Com uma fome que assusta, que transcende o físico, que alcança lugares dentro de mim que eu nem sabia que existiam.Por isso, quando acordei de madrugada e senti o peso do braço dele sobre minha cintura, o calor do corpo dele contra minhas costas, a respiração tranquila de quem finalmente encontrou paz — por isso, naquele momento, me senti a pior traidora do mundo.Porque eu sabia o que precisava fazer.Com cuidado de quem desarma uma bomba, desvencilhei-me dele. Seu corpo protestou com um murmúrio, um aperto de mão no vazio, mas não acordou. Fiquei ali por um longo minuto, apenas observando. A luz da lua recortava seu rosto, suavizando as linhas duras que o mundo via. Ali, dormindo, ele parecia quase vulnerável. Quase meu.Nunca foi seu, a voz na minha cabeça lembrou. E pode nu
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