Marye acordou com a sensação de que algo havia mudado dentro dela.Não era apenas cansaço. Era como se uma decisão invisível tivesse sido tomada durante a noite, enquanto ela dormia. O tipo de decisão que não se formula em palavras, mas se instala no corpo, na respiração, no jeito como o coração reage ao simples lembrar de um nome.Gustavo.Ela permaneceu deitada por alguns minutos, olhando para o teto, revivendo a forma como ele a observava — não com pressa, não com posse, mas com uma intensidade silenciosa que a fazia se sentir vista por inteiro. Aquilo era novo. E perigoso.Marye se levantou, tomou banho tentando afastar os pensamentos, mas quanto mais a água escorria por seu corpo, mais a lembrança do olhar dele parecia se imprimir na pele. Vestiu-se com cuidado, escolhendo roupas simples, como se a neutralidade pudesse conter o turbilhão interno.Não funcionou.No outro lado da cidade, Daniel também estava acordado cedo demais. Diferente de Marye, ele nã
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