Anny A ideia chegou devagar, sem fogos, sem pedido ajoelhado. Chegou num dia comum, enquanto eu estendia roupas no varal improvisado da área de serviço e via, pelo vidro da sala, o Samuel ajudando o Andryel a montar um castelo de blocos.De repente, me dei conta de que a nossa vida já parecia casamento. A gente dividia cama, filho, medo, vitória.A diferença é que não tinha vestido branco, nem foto em porta‑retrato escrito “Sr. e Sra.”. E, pela primeira vez, pensar em casar no papel não me deu pânico. Não como prêmio final, nem como conserto de pecado. Só como etapa natural de uma vida que a gente já leva.Comentei isso por cima com a minha tia, num sábado de café. Ela arregalou os olhos do jeito teatral de sempre.— Ué, demorou. — disse, rindo. — Vocês já dividem cama, filho, lar… só falta o sobrenome.Eu ri junto, mas a palavra “sobrenome” bateu num lugar sensível. Sobrenome, pra mim, nunca foi só conjunto de letras.Foi peso, rótulo, gaiola. Fui “só” Anny quase a vida inteira. De
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