Parte 2ISABEL Luiza dorme no meu colo quando o sol começa a atravessar a janela da sala. Há algo quase sagrado nesse horário da manhã, quando o mundo ainda não exige nada de mim além de estar presente. O cheirinho de bebê, o calor do corpinho pequeno, a respiração tranquila… tudo isso deveria ser suficiente para me manter inteira. E, ainda assim, eu me sinto cansada de um jeito que não é só físico. — Ela apagou — murmuro, quando Dante aparece na porta do quarto, com a camisa social meio amarrotada e o celular na mão. Ele sorri daquele jeito que sempre me desmonta. Não é um sorriso grande, é cansado também, mas verdadeiro. — Finalmente. Acho que ela puxou isso de você. Reviro os olhos, mas sorrio. Dante se aproxima, beija a testa de Luiza com cuidado, depois a minha. É um gesto simples, automático, mas noto como ele hesita por um segundo a mais antes de me tocar. Como se tivesse medo de me incomodar … ou de atravessar uma linha invisível entre nós. Desde quando essa linha exis
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