Levi Bianchi A imagem de Lana encolhida naquela cadeira de diretoria, segurando um desenho amassado que representava o seu mundo, foi o catalisador de algo que eu vinha tentando enterrar há trinta anos. Quando ela me perguntou, com aquela voz que parecia feita de vidro prestes a quebrar, se eu também iria embora, eu não vi apenas a filha da Hannah. Eu me vi.Eu vi o pequeno Levi, parado no portão da escola, esperando por um carro que nunca chegava. Eu vi o garoto que ouvia os sussurros nos corredores: "O pai dele está em Nova York, a mãe está em Paris, e ele está sempre sozinho". Eu era o "sem pais", o herdeiro de um império que não tinha ninguém para segurar sua mão no dia da apresentação de artes. Eu briguei, eu saí com o lábio cortado e a alma ferida tantas vezes porque não aceitava que a minha família fosse um deserto de ausências.Eu prometi a mim mesmo, ainda criança, que cuidaria dos meus irmãos para que eles não sentissem aquele frio. E hoje, o destino me colocou diante de La
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