LunaO convite chegou com a delicadeza de quem não pede, apenas informa.Uma recepção noturna, patrocinada por um dos braços culturais da holding, oficialmente voltada para investidores e parceiros institucionais, extraoficialmente desenhada para observar, medir reações, testar narrativas. Marco leu o e-mail em silêncio, apoiado no balcão da cozinha, enquanto eu terminava de prender o cabelo diante do espelho.— Não é opcional — ele disse, por fim, sem dramatizar.— Nada do que importa costuma ser — respondi.Ele levantou os olhos e sorriu daquele jeito contido, que não pede aprovação, mas agradece a presença. Aproximou-se por trás de mim, ajustou um fio rebelde perto da minha orelha, um gesto íntimo demais para quem estaria, dali a pouco, sob olhares calculados.— Vai ter gente olhando para você como se quisesse entender onde você se encaixa — avisou.— Eu sei exatamente onde me encaixo — respondi. — Ao seu lado, sem tradução simultânea.Ele riu baixo, mas havia algo diferente ali, u
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