POV EmíliaO ônibus me deixa na estrada principal, a uns 15 minutos a pé da propriedade. Eu caminho devagar, a sacola pesada balançando na mão direita, o vento frio batendo no rosto. O céu está cinzento, mas pela primeira vez em dias eu sinto algo leve no peito... o vestido novo, o casaco, as botas, o cachecol, o dinheiro gasto em mim mesma. Não é só tecido. É um pedaço de mim que eu recuperei.Quando chego na entrada da mansão, o portão automático já está aberto. Eu entro. O cascalho range sob as botas novas. A casa parece maior do que nunca, imponente, fria, cheia de sombras que não são só da noite.Eu abro a porta da frente. E dou de cara com ele.Declan.Ele está no hall, ainda de terno, gravata frouxa, cabelo ligeiramente bagunçado. Como se tivesse chegado há pouco. Como se estivesse esperando.Ele me vê. Os olhos escuros me encontram imediatamente. Por um segundo, algo passa neles: alívio, culpa, desejo, medo. Tudo misturado. Ele dá um passo à frente.— Emília.Eu paro. Aperto a
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