POV Emília A casa está mergulhada num silêncio que pesa mais do que o normal. São quase 1h da manhã. Eu não consigo dormir. O estômago ronca baixo, mas não é só fome, é ansiedade, raiva, vazio, tudo junto. Eu me levanto devagar, visto o robe por cima do pijama curto, saio do quarto na ponta dos pés. O corredor escuro, só a luz fraca do abajur do hall no andar de baixo. Eu desço as escadas. Passo pela porta do escritório de Declan. Está entreaberta. Luz amarela vazando pela fresta. Eu paro. Ouço vozes baixas, a dele, rouca, cansada; a dela, doce demais, provocadora. Eu não escuto o que dizem. Não quero. Eu sigo. Quando chego no fim do corredor, a porta do escritório abre de repente. Mia sai. Vestindo apenas uma das camisas brancas dele, a que ele usava hoje, ainda com o cheiro dele. A camisa chega até o meio da coxa, desabotoada o suficiente para mostrar o colo, o cabelo loiro todo bagunçado, lábios inchados, pele marcada de beijos recentes. Ela me vê. Para. Sorri. Aquele sorris
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