POV Emília Entrei no quarto com o coração martelando contra as costelas, o gosto de uísque e desespero ainda impregnado nos meus lábios. A escuridão do aposento parecia me julgar. Caminhei até a cama com passos de pluma, sentindo o peso da traição invisível que eu acabara de cometer contra o homem que me resgatou das cinzas. Ao me deitar, Santiago se mexeu. O calor do corpo dele era um contraste brutal com o frio que eu sentira na biblioteca. Pensei que ele fosse acordar, que fosse ver o caos nos meus olhos, mas ele apenas se virou para mim, ainda mergulhado no sono. Com um movimento lento, ele me puxou para perto, envolvendo minha cintura e depositando beijos carinhosos e sonolentos no meu ombro e na base da minha nuca. — Estás fria, mi amor... — ele murmurou, a voz rouca e carregada de afeto. Ele me apertou contra si, buscando me aquecer, e logo a respiração dele voltou a ficar pesada e rítmica. Santiago confiava em mim. Aquela confiança era um espinho cravado na minha alma. Fiq
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