POV Emília O sol de Galway começava a declinar, pintando as nuvens de um tom de pêssego melancólico enquanto recolhíamos a manta xadrez. Lucca carregava a cesta de piquenique com uma leveza que eu não via nele há meses, e Thomas corria à frente, saltitando de alegria, como se tivesse acabado de ganhar o maior tesouro do mundo. E, de certa forma, ele ganhara. Ele recuperara o irmão. Téo caminhava ao meu lado, segurando minha mão com firmeza. Ele não parava de falar. Eram frases curtas, observações sobre os patos no lago, sobre a cor das flores, sobre o formato das nuvens. Cada sílaba que saía de sua boca era como uma nota musical vinda de um instrumento que passara anos guardado em um sótão empoeirado. — A água faz barulho de sono, Emília — ele disse, apontando para o pequeno riacho que cruzava o parque. — Faz sim, meu amor. Um barulho muito calmo — respondi, sentindo um nó de gratidão e pavor apertar meu peito. Entramos no Range Rover. Lucca assumiu o volante, seus ol
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