Eu estava a um centímetro de cair, a um suspiro de me entregar ao vazio, quando senti. Não foi um puxão brusco, foi algo muito mais poderoso. Uma mão pequena, mas firme, pousou no meu ombro nu, e onde aqueles dedos encostaram, eu senti um calor tão intenso que parecia que minha pele estava sendo queimada por um ferro em brasa.Não era o calor do sol que eu tanto amava, era um calor humano, vivo, elétrico.Aquele toque atravessou a névoa da bebedeira como um raio. O calor subiu pelo meu braço, atingiu o meu coração estagnado e me fez despertar. Eu pisquei, tentando focar a visão, e me virei lentamente.Era ela. Helena.Ela estava ali, sob a luz da lua, com aqueles olhos que pareciam ler cada uma das minhas cicatrizes. O contraste do ar gelado da noite com a quentura da mão dela na minha pele me fez tremer. Eu, que passei meses sentindo apenas o frio da ausência de Julian e o gelo do olhar da minha mãe, fui atingido por aquele incêndio em forma de gente.— Heitor, chega — a voz dela era
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