GIOVANNA | As PerguntasElisa voltava às quartas e aos sábados.Pontual. Sempre no horário. Sempre com o casaco e a bolsa e o coque que parecia nunca sair do lugar. Mas havia diferenças sutis que eu fui aprendendo a ler como quem aprende um idioma novo — devagar, por repetição, por erro.Na terceira visita, ela trouxe brigadeiro caseiro para os gêmeos.Na quarta, chegou dez minutos antes e ficou esperando no carro até a hora exata. Disciplina ou insegurança, não sabia dizer. Talvez os dois.Na quinta, começou com as perguntas.Era sábado. Os gêmeos estavam no jardim com Cristian — raro, uma tarde de fim de semana sem trabalho, e ele tinha aproveitado para jogar bola com Bento enquanto Betina desenhava sentada na grama com aquele jeito dela de estar em dois lugares ao mesmo tempo: o corpo na grama, a mente dentro do caderno. Eu estava na sala arrumando os livros da estante, reorganizando por tamanho porque Bento tin
Ler mais