DONA CÉLIA | ObservandoQuinze anos.Quinze anos trabalhando nesta casa, e nunca a tinha visto assim.Estava na cozinha, as mãos ocupadas descascando batatas para o jantar, mas meus olhos e ouvidos estavam em outro lugar. No jardim, visível pela janela ampla acima da pia, onde aquela moça — Giovanna — brincava com os gêmeos.Não. Brincava não.Vivia.Betina corria descalça na grama, os cabelos castanhos voando soltos, rindo tão alto que o som atravessava o vidro e chegava até mim como música. Uma música que esta casa não ouvia há anos. Bento a perseguia com uma mangueira de jardim, molhando tudo — a irmã, as plantas, a si mesmo, Giovanna.E Giovanna.Meu Deus, aquela menina.Ela estava encharcada da cabeça aos pés. A blusa branca grudada no corpo, o cabelo castanho-claro pingando, gotas escorrendo pelo rosto, pelos braços. Descalça também, os pés manchados de grama, girando e correndo e rindo
Ler mais