Dante voltou para casa apenas o suficiente para ver a filha acordada. Olie falava sobre coisas pequenas, triviais, como se o mundo estivesse perfeitamente no lugar. Dante a ouviu em silêncio, tentando se ancorar naquela breve normalidade antes de sair novamente.Os dias seguintes passaram com um vagar pesaroso. Ainda assim, Dante tentou demonstrar naturalidade, principalmente na empresa.Dante esteve presente nas reuniões, sentado à cabeceira da mesa, os relatórios abertos à sua frente. Respondia quando era chamado, assentia nos momentos esperados, mas o pensamento escapava com frequência. Bastava uma pausa mais longa e a cena retornava: o asfalto molhado, o vulto surgindo de repente, o impacto seco demais para ser esquecido.— Dante?A voz o trouxe de volta.Leon, responsável pela implantação, o observava com atenção contida.- Você está bem? - perguntou. - Parece distante desde a última terça.Dante piscou, recompôs a postura.- Aconteceu algo, respondeu, vago. — Mas não é assunto p
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