Quando o coração entende antes da razãoSerena saiu do banho com a sensação estranha de que ainda não pertencia àquela casa, apesar de já conhecer cada corredor, cada porta, cada sombra que se formava quando a luz da manhã atravessava os vidros altos. O vapor ainda pairava no ar, e seu cabelo escorria em pequenas gotas que marcavam o chão frio enquanto ela caminhava até o quarto da bebê. Estava de toalha, os pés descalços, o corpo cansado, mas alerta, como se nunca mais pudesse simplesmente desligar.Sophie dormia de lado, os braços abertos, os lábios entreabertos como se estivesse prestes a sorrir. Serena parou por alguns segundos, só olhando. Era sempre assim. Ela precisava confirmar que a menina estava ali, respirando, viva, real. Só depois disso conseguia seguir com o dia.Pegou uma fralda, separou a roupinha leve, olhou a janela, sentiu o sol entrar. O cheiro do mar chegava suave, misturado ao perfume neutro dos lençóis limpos. Tudo ali parecia grande demais para alguém como ela.
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