HELOÍSA O parque estava cheio naquele fim de tarde. Havia risadas espalhadas pelo ar, crianças correndo de um lado para o outro, bicicletas passando, cachorros sendo puxados por coleiras coloridas e o cheiro doce de grama recém-cortada misturado ao de pipoca e algodão-doce. Era um cenário simples, comum, mas que para mim parecia quase cinematográfico naquele momento. Estendi a toalha xadrez no gramado com cuidado, alisando o tecido com as mãos, enquanto Kitana observava tudo com os olhos atentos, curiosos, como se aquele gesto fosse algo extraordinário. — Aqui, ó — falei, sorrindo. — Nosso piquenique. Abri a bolsa térmica e comecei a distribuir as coisas sobre a toalha - sanduíches naturais cortados em triângulos, frutas já lavadas e picadas — uvas, morangos, maçãs —, biscoitos amanteigados, potinhos pequenos de pasta de amendoim e geleia, suco de caixinha, guardanapos coloridos e duas garrafinhas de água. Tudo simples, mas feito com carinho. Kitana se sentou de pernas cruzadas,
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