Naquela noite, o silêncio do apartamento não era apenas a ausência de som; era uma massa densa e opressiva que parecia comprimir as paredes de metal. Lisa esperou que o ciclo de iluminação atingisse o espectro de dois por cento, o "breu profundo", reservado às horas de menor atividade da estação. O drive, um fragmento de metal e silício que Mara lhe entregara, parecia pulsar em sua mão, pesado como se carregasse toda a massa da Arca.Com movimentos coreografados pela paranoia, ela trancou a porta do quarto. A trava eletrônica deu um estalo seco, um som que, em sua mente, ecoou como o fechamento de uma escotilha de isolamento. Ela se ajoelhou e puxou, debaixo do fundo falso do armário, o terminal portátil que pertencera ao seu pai. Era uma relíquia tecnológica, um dispositivo de processamento isolado, cujos
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