Capítulo 35 — O que permaneceEmma CarterDepois que saí do quarto da UTI, achei que o ar do corredor ficaria mais leve. Não ficou. Matteo ainda estava ali, encostado na parede, como se ir embora fosse errado demais para considerar. Aquilo me irritou e, ao mesmo tempo, me desarmou. Eu tinha pedido espaço. Ele ficou. Não por desafio — por presença. Aceitei voltar com ele mais por cansaço do que por acordo. O caminho até a mansão foi silencioso. Olhei a cidade passando pela janela e, por alguns minutos, apaguei. Acordei com a voz dele, baixa, cuidadosa. Era quase dia.Na casa, tentamos falar. Falhamos. O que saiu foram farpas, orgulho, medo travestido de firmeza. A dívida invisível pesava mais do que qualquer número. Eu estava grata pela vida da minha mãe — e furiosa por ter sido colocada numa posição que me diminuía. Quando a discussão virou impulso, o beijo aconteceu. Não foi carinho; foi descarga. Um choque curto, intenso, errado no momento certo. E então a campainha. A realidade vol
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