ELISAA tarde está dourada, o tipo de luz que parece abençoar tudo o que toca. Estamos no pátio externo da Casa da Esperança, um espaço que antes era apenas cimento rachado e desespero, e que agora é um canteiro de terra fértil preparado para receber vida nova.Nós quatro: Rafael, de camisa arregaçada, com uma pá na mão; eu, de jeans e camiseta velha, segurando cuidadosamente um vaso de plástico; e Laura e Isabel, sérias como pequenas sacerdotisas, cada uma segurando um baldinho de água.No vaso, uma muda fina, mas resistente, de ipê-amarelo. Suas folhas são pequenas e viçosas, e no ápice, um único botão floral teima em mostrar um vislumbre de amarelo. Escolhemos o ipê não por acaso. É a árvore da minha mãe. A árvore que florescia no jardim da casa que foi feliz, cuja sombra dourada é uma das minhas últimas memórias boas de antes do mundo desmoronar.
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