LilianVoltar para casa dos meus pais ainda provoca em mim a mesma sensação de quando eu era criança: como se o mundo diminuísse de tamanho e ficasse mais fácil de caber no peito.Estacionei o carro em frente ao portão branco, agora um pouco mais gasto pelo tempo, mas ainda tão familiar. Respirei fundo antes de descer. Eu podia resolver isso sozinha — eu sempre podia —, mas a verdade é que algumas perguntas só fazem sentido quando feitas às pessoas certas.E, para mim, Laura sempre foi a pessoa certa.A porta se abriu antes mesmo de eu tocar a campainha.— Lilian! — a voz dela veio carregada de alegria, do mesmo jeito de sempre.Laura estava ali, com o cabelo preso de qualquer jeito, uma camiseta larga e aquele sorriso que nunca mudou. O tempo passou, sim, mas nela parecia ter deixado apenas marcas suaves: um olhar mais sereno, gestos mais seguros, uma paz que não existia nos primeiros anos em que entrou na nossa vida.— Mãe… — chamei sem perceber, e sorri logo depois.Ela abriu os br
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