Estou sentada atrás de Lilian, no tapete macio do quarto dela. A janela está aberta, deixando o ar da tarde entrar junto com o cheiro suave do jardim. O banho ainda paira no ambiente, aquele aroma limpo de sabonete infantil e shampoo de morango. Os cabelos dela estão úmidos, longos e levemente ondulados, escorrendo pelas costas pequenas. Passo a escova devagar, com cuidado para não puxar. Cada movimento é lento, quase terapêutico. — Assim, Laura? — ela pergunta, virando um pouco o livro aberto nas mãos. — Assim mesmo, meu amor — respondo com um sorriso, continuando a pentear. Lilian está sentada de pernas cruzadas, concentrada. Seus dedinhos acompanham as palavras enquanto ela lê em voz alta, tropeçando em algumas sílabas, mas insistindo com uma determinação linda de ver. — “E então… o… o… dragão decidiu não ser mau… e virou amigo da princesa” — ela diz, orgulhosa, erguendo o olhar para mim. — Muito bem! — elogio, inclinando-me para beijar o topo da cabeça dela. — Você está lend
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