Lucas Falcão | Domingo — Apartamento de Pinheiros Ele acordou antes dela. Isso não era novidade — acordava antes de todo mundo, sempre tinha acordado, o tipo de coisa que anos de operação gravam no corpo e não saem só porque a situação mudou. Mas dessa vez ficou parado. Não foi pro celular, não foi verificar janela, não foi fazer nada. Só ficou olhando o teto. A janela ainda estava aberta da noite anterior. São Paulo de domingo de manhã tinha um barulho diferente do resto da semana — mais lento, mais espaçado, como se a cidade respirasse num ritmo que ela mesma não sabia que tinha. Moema dormia de lado, o cabelo no rosto, a respiração funda. Ele saiu da cama sem fazer barulho. Foi pra cozinha, fez café, ficou na varanda com a xícara enquanto a cidade acordava devagar lá embaixo. O apartamento tinha coisas que não foram planejadas. O isqueiro da Priscila que ficou numa visita e ninguém devolveu. A foto que o Matt tinha enquadrado e pendurado na parede do corredor sem pedir — os
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