ClaraO cheiro de tecido novo sempre me deixa estranhamente tranquila.Há algo no perfume leve de renda, tule e cetim que me faz sentir como se estivesse entrando em um momento importante — quase sagrado. O ateliê é silencioso, mas não vazio. Consigo ouvir passos suaves sobre o piso liso, o deslizar de cabides, o farfalhar delicado dos vestidos sendo movimentados.Seguro firme na bolsa enquanto caminho com cuidado, sentindo o braço de Rosa ao meu lado. Ela sempre ajusta o ritmo ao meu, sem que eu precise pedir.Meus dedos tocam o primeiro vestido que colocam em minhas mãos.O tecido é leve. Quase etéreo.Deslizo a ponta dos dedos pela renda bordada, seguindo os desenhos minúsculos costurados à mão. Há pequenas elevações que parecem flores. O tule é macio, mas firme o suficiente para manter estrutura. Seguro a saia entre os dedos e sinto o volume se espalhar, como se fosse nuvem.— Ele é lindo — alguém comenta, mas eu sorrio sem responder.Para mim, beleza tem peso, textura, temperatur
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