Rafael Acordei antes do despertador, com aquela sensação incômoda de quem sabe que o tempo acabou. O quarto ainda estava silencioso, e ela dormia de lado, o rosto tranquilo demais para uma manhã de despedida.Respirei fundo antes de falar.— Minha deusa… murmurei baixo, passando a mão pelo braço dela. Preciso me arrumar pra ir embora.Ela abriu os olhos devagar, ainda presa ao sono, mas a expressão mudou no instante em que as palavras fizeram sentido. Me olhou em silêncio por alguns segundos, como se tentasse negociar com o tempo.— Ah… disse por fim, a voz mansa, mas carregada. — Não vai estar tão bom esses dias aqui sem você.Aquilo bateu mais forte do que eu esperava. Inclinei o corpo sobre o dela, encostando a testa na sua.— Eu volto garanti, sem hesitar. A gente marca na minha próxima folga. Eu venho correndo.Ela me olhou com uma esperança contida, daquelas que não fazem barulho, mas dizem tudo. Assentiu devagar, como quem escolhe acreditar.Fiquei alguns segundos ali, só ol
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