RafaelO primeiro dia de aula começou cedo.O céu seguia cinza, persistente, como se Londres tivesse decidido não facilitar. Vesti-me com cuidado, peguei a pasta e saí já reconhecendo o caminho até o metrô. Pequenas vitórias contam quando tudo ainda é novo.Na Imperial College London, o movimento era intenso. Estudantes, médicos, pesquisadores. Conversas em vários idiomas se cruzavam pelos corredores. Havia um peso ali. Um respeito silencioso.A sala da especialização em cardiologia era ampla, moderna, fria na medida certa. Telas grandes, mesas organizadas, cadeiras alinhadas. Escolhi um lugar mais discreto, perto do corredor.Observei.O coordenador entrou no horário exato. Falou sobre a carga horária pesada, as exigências clínicas, os hospitais parceiros. Nada romântico. Tudo concreto. Perfeito.No intervalo, alguém se aproximou.— Você é o brasileiro, não é?Levantei o olhar.Ele era alto, cabelo claro, expressão tranquila.— Sou.— Oliver disse, estendendo a mão. Cardiologia clí
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