Rosângela Vitor nos guiou para dentro, e o cheiro da casa dos meus pais me atingiu como um soco de nostalgia. Eu conhecia cada canto daquela sala, mas meus olhos logo pousaram na desordem acumulada.— Oi, irmão... — eu disse, tentando manter a voz firme. — Se essa casa estiver precisando de uma faxina, eu já sei a quem recorrer.Vitor soltou uma risada sem jeito, coçando a nuca.— Eu sei, mana. É que eu não parei esses dias. A Rebeca, minha noiva, estava meio doente e eu fiquei uns dias com ela. Quando estou aqui, é aquela correria... e, bem, quando o primo Marcos passa por aqui, ele também fica comigo.No momento em que ele pronunciou aquele nome, meu corpo enrijeceu. Senti um frio gelado subir pela espinha e minhas mãos começaram a tremer. O ar parecia ter ficado mais pesado. Anthony, sempre atento, percebeu meu nervosismo antes de qualquer um. Ele segurou minha mão com firmeza, um toque que dizia: “Eu estou aqui”. Sem esse apoio, eu acho que teria dado meia-volta ali mesmo.—
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