CAPÍTULO 12: AMBAS AS PARTES SAIRIAM SATISFEITAS. "ARIEL GOUVEIA" Confesso: aquela mulher me surpreendeu. Havia nela uma firmeza que não era agressiva, mas inabalável. Uma presença que não se dobrava à tensão do ambiente, nem ao peso do sobrenome que carregava aquela sala. E, pela primeira vez desde o acidente, senti algo raro — segurança. A certeza de que, naquele momento decisivo da minha vida, eu teria ao meu lado alguém capaz de acompanhar cada passo, cada decisão, sem hesitar. Ela acomodou-se na poltrona diante da mesa do escritório. Ao lado da cadeira do meu pai, eu permaneci na minha cadeira de rodas — lembrança silenciosa da queda que quase me custou tudo. A reunião se estendeu por horas. Desta vez, meu pai foi apenas espectador. Não falou por mim. Não conduziu a conversa. Eu assumiria a dianteira. Durante os próximos quatro anos, cada decisão ligada àquele acordo passaria por mim. Minha palavra seria soberana. E ela precisava compreender — e aceitar — o peso disso. E
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