A casa em Moema parecia um refúgio depois do caos do hospital. O apartamento, antes cheio de tensão e silêncio pesado, agora respirava devagar. Marina organizara tudo com carinho: a cozinha cheia de alimentos leves (sopas, frutas cortadas, iogurte natural, biscoitos sem açúcar), o quarto principal com travesseiros extras para apoiar a barriga de Elisa, uma mesinha ao lado da cama com água, remédios, um livro de poesias que Marina trouxera (“pra ler quando a cabeça pesar”) e um vaso de lavandas frescas — “pra acalmar”, explicara ela.Elisa passou o primeiro dia de repouso absoluto na cama. Gael transformara o home office em “sala de vigilância”: notebook aberto, celular ao lado, porta sempre entreaberta para ouvir qualquer chamado. Ele trabalhava em volume baixo, respondendo e-mails, aprovando relatórios, mas parava a cada meia hora para verificar se ela precisava de algo.— Água? Chá? Quer que eu leia pra você? — perguntava ele, voz suave, como se tivesse medo de quebrar o equilíbrio
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