69. Pingos nos is
BrancaEu comia devagar.Não porque estava com fome, mas porque precisava manter as mãos ocupadas. Um pedaço pequeno de fruta, uma mastigada longa demais, o copo de suco apoiado com cuidado na bandeja. Tudo para não explodir.Minha mãe falava, falava e falava. Não parava de reclamar, do Cássio, da postura dele. Do beijo. Da ousadia. Da forma como “homem nenhum tinha o direito de se impor daquele jeito”. De como ele estava se aproveitando da minha fragilidade. De como aquilo tudo era apenas para reparar o erro que ele não foi capaz de impedir.Eu assentia de vez em quando, mas não para ela e sim para mim, porque minha mente vagava bem longe dali. Era sempre assim. Quando ela vinha com os seus sermões, minha mente se desprendia da realidade, e me levava para qualquer refúgio, e naquele momento, Cássio invadia todo o meu pensamento.No jeito como ele entrou no quarto. No olhar calmo demais para quem estava declarando guerra. No beijo rápido, proposital, absolutamente consciente.Um creti
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