76. Um psicopata
CássioNão sei por quanto tempo andamos, só sei que era longe. Muito longe.Minha mente tentava captar os ruídos, tentava se manter alerta. Qualquer coisa que ajudasse com a identificação de onde eu estava, caso, por um milagre, eu conseguisse fugir.Mas não houve nada de diferente. Nada que se destacasse. O carro parou algum tempo depois.Sem aviso, nem freada longa. Só o motor desligando e uma mão firme no meu ombro.“Desce.”Não me puxaram. Não me algemaram. Nenhuma corda, nenhuma fita. Só o capuz ainda cobrindo minha visão e a certeza de que aquilo não era um erro.Eles não me queriam como prisioneiro. Era uma conversa, mas nos termos deles.O chão sob meus pés era sólido, bem cuidado. Nada de terra, nada de brita. O cheiro não era de abandono. Era de jardim molhado, de grama aparada, de dinheiro bem gasto.Quando tiraram o capuz, eu não me surpreendi.Uma casa elegante. Impecável. Iluminada demais para alguém que vivia nas sombras. Arquitetura limpa, vidro, madeira nobre, silênc
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