185. Rara paz
Branca"Me leva embora."Minha voz sai fraca, quebrada, quase irreconhecível até para mim mesma. Eu nem sei em que momento as lágrimas começaram a escorrer, só sei que já não consigo mais enxergar direito a sala, a mesa, as fotos antigas, nem a minha mãe parada diante de nós com aquele olhar de quem acredita, de verdade, que está nos salvando ao nos condenar à fuga."Eu não consigo pensar agora", continuo, respirando com dificuldade. "Não consigo raciocinar. Eu preciso… eu preciso de um tempo."Minha mãe balança a cabeça de imediato, como se o simples pedido de tempo fosse mais um erro irreparável."Quanto mais tempo você demorar, mais perto eles vão estar." A voz dela vem carregada de urgência. "Você precisa se decidir, Branca. E precisa se decidir logo.""Chega, mãe."A voz do André corta o ar com firmeza, e pela primeira vez desde que chegamos ali eu vejo nele algo além da paciência cansada de sempre. Há irritação. Proteção. Limite."Ela já entendeu."Ele se coloca um pouco mais à
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