Dobrei a carta com cuidado excessivo e a guardei dentro do corpete, perto demais do coração para ser acaso. Eu precisava vê-lo. Porque partir sem encará-lo seria negar tudo o que fomos.Saí do quarto com passos decididos, misturando-me à pressa do navio. Soldados davam ordens, marinheiros gritavam instruções, passageiros desciam carregando malas, caixas, vidas inteiras empilhadas em madeira e couro. O mundo seguia em movimento, indiferente ao caos que me atravessava.No caminho, uma mulher esbarrou em mim com força suficiente para me fazer dar um passo atrás. — Perdoe-me — murmurei automaticamente, embora não tivesse sido eu quem esbarrara.A mulher mal pareceu ouvir. Seu pedido de desculpas veio tardio, distraído, quase por obrigação. O olhar, no entanto, demorou-se. Não em meu rosto primeiro, mas na minha pele. Depois no meu vestido, Por fim, subiu até meus olhos.Ela Vestia-se de preto, não como luto discreto, mas como afirmação. Havia nela algo seguro demais, afiado, como
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