A casa voltou a respirar, não com a leveza despreocupada de outrora, mas com uma respiração nova, mais consciente, mais cuidadosa, como se cada cômodo tivesse aprendido a medir o ar que entrava e saía para não perturbar as cicatrizes ainda sensíveis.O tempo, com sua paciência silenciosa, começou a reorganizar os pedaços que haviam sido quebrados, recolocando-os devagar, um de cada vez, sem forçar as juntas.Caio continuava comparecendo às sessões com a psicóloga infantil, e embora algumas sombras ainda cruzassem seus olhos em momentos inesperados, um barulho súbito na cozinha, o rangido de uma porta, elas já não dominavam tudo. Ele voltava a brincar, ainda que com uma calma nova, como se observasse o próprio prazer antes de se entregar a ele. Observava mais. Sentia mais. E, aos poucos, retornava a dormir em seu próprio quarto.Nunca completamente sozinho. Uma reforma foi feita ali, para apagar as marcas da invasão, mesmo sendo impossível fazer isso da alma infantil.Ayla sentava-se a
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