235. Uma Cópia Defeituosa
Acordo antes do alarme e me viro de barriga para cima, encarando o teto, com aquela lerdeza de quem dormiu, mas não descansou como deveria. O quarto está igual ao de sempre: a mesma luz entrando pela fresta da cortina, o mesmo silêncio do apartamento pela manhã. O mesmo vazio. Viro de lado, puxo o cobertor até o queixo e fico quieta por mais alguns segundos, tentando entender por que, mesmo com tudo igual, tenho a sensação de que alguma coisa está fora do lugar. A resposta vem rápido, porque o problema não é o que está acontecendo. É o que não está. Durante a madrugada, quando não consegui dormir e fui buscar água, não tinha ninguém. Ninguém apareceu no corredor para conferir se tudo estava bem, como se tivesse sentido a presença antes mesmo de eu fazer qualquer barulho. Não havia ninguém lá. Só o corredor escuro e o silêncio de um apartamento que, de repente, parece maior do que deveria. Nos últimos dias, mesmo com tudo aquilo pesando entre nós, mesmo me sentindo incapaz de
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