172. Era Só Isso Que Faltava.
Fico olhando para o monitor por um segundo. Para a linha reta que não oscila, não falha, não tenta voltar. Só permanece imóvel. Definitiva. Por um momento, não me levanto, não me aproximo e nem digo nada. Até porque não há nada para dizer. A mulher que acabou de morrer naquela cama é a mesma que destruiu a minha vida com uma mentira. A mesma que colocou o meu filho em um carro, numa noite de chuva, sem cinto, sem cuidado, sem pensar em nada além de si mesma. E, ainda assim… é a mãe dele. É estranho. Não sinto alívio, nem sinto tristeza. Não sinto nada que consiga nomear agora. Só sinto o peso de tudo que ela disse ainda pairando no ar do quarto, misturado ao cheiro de hospital e ao som daquele apito que não para. A porta se abre, batendo com força contra a parede, finalmente me trazendo de volta à realidade. A enfermeira entra primeiro, depois um médico, depois outro. Movimentos rápidos, vozes alteradas, equipamentos sendo puxados com aquela urgência que existe mesmo quando
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