Liana não respondeu de imediato, porque havia coisas demais se movendo dentro dela ao mesmo tempo, como se o corpo ainda não tivesse decidido se estava acordado ou sonhando. O quarto do hospital era silencioso, cheirava a ervas e limpeza, e ainda assim o mundo parecia barulhento demais por dentro, cheio de lembranças quebradas e imagens que vinham e iam como flashes: a caverna, a febre, a grama do jardim impossível, a loba branca se desfazendo em luz, a negra oferecendo a cabeça para o toque dela. Agora, ali, com Kian dormindo pesado contra seu peito, sentia o próprio coração bater com uma força diferente, mais intensa, como se não fosse apenas dela, como se existisse um segundo pulso acompanhando o ritmo.Quando Anton disse que jamais permitiria que ela se entregasse, a frase não ficou só no ar.Ela entrou na carne dela.Liana ergueu o olhar para ele e, por um segundo, tentou encontrar sarcasmo, tentativa de controle, arrogância… qualquer coisa que lembrasse o homem que ela conhecia,
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