Visão de MarianaO interfone tocou no início da tarde, quando eu estava na sala tentando equilibrar o laptop no colo e uma xícara de chá na mão. Eliete atendeu, e um sorriso se abriu no rosto dela.— É a sua tia, Mariana. A Vera.— Deixa entrar. E prepara o café. Ela não vai embora tão cedo.Eu conhecia a tia Vera. Quando ela vinha visitar, era sempre com uma missão.E missão, na cabeça dela, significava ficar horas na sala, tomando café, contando histórias, e dando palpites sobre a minha vida.Ela entrou com uma sacola de pano estampada… dessas de feira orgânica e um sorriso de orelha a orelha.— Mari! Como você está, minha filha?— Estou bem, tia. E a senhora?— Bem, bem. Trabalhando, ocupada, mas bem. Vim trazer umas coisinhas para você.Ela sentou no sofá ao meu lado, abriu a sacola, e começou a tirar os pacotes. Pacotes de ervas, potes de vidro com líquidos escuros, saquinhos de tecido amarrados com fitas coloridas.— Tia, o que é isso?— Simpatias, minha filha. Receitas da min
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