O envelope era de papel pardo, desses que a gente usa para guardar documentos antigos. Eu tinha encontrado em uma caixa de sapato, no fundo do armário do meu pai, junto com cartas amareladas e fotografias desbotadas. A caligrafia da minha avó era trêmula, as letras cheias de curvas e arabescos, como se cada palavra tivesse sido desenhada com carinho.Dentro, havia uma receita. A fórmula do perfume que ela criou nos anos 60, quando era jovem e cheia de sonhos. O mesmo perfume que minha mãe usou no casamento. O mesmo que eu usei no primeiro dia em que Rodrigo me beijou.Passei semanas adaptando a receita. Troquei ingredientes que não existiam mais, ajustei proporções, testei combinações até que o cheiro ficasse exatamente como eu lembrava. Não era igual… nunca seria. Mas estava perto. Estava vivo.Agora, o envelope estava nas mãos de Rodrigo. Ele o abriu com cuidado, como se fosse um documento sagrado, e leu em silêncio. Os seus olhos percorreram cada linha, palavra e cada núme
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