(Visão de Rodrigo)O sol da manhã rasgava o horizonte como uma lâmina quente, mas para mim, o mundo ainda estava mergulhado em um breu absoluto. Eu não dormia, não comia, mal respirava. Cada segundo que o relógio avançava era uma martelada no meu peito, um lembrete de que eu tinha falhado com a única pessoa que me fez sentir vivo em anos.Estávamos num complexo industrial abandonado na zona sul.Com cheiro de óleo queimado e poeira sufocava. Caminhei pelo galpão vazio, com os meus passos ecoando como tiros no silêncio metálico. Nada. Nem um rastro, nem um pedaço de tecido claro, nem o cheiro do perfume dela.— Não está aqui — a voz do meu chefe de segurança, Almir, veio baixa, carregada de uma cautela que me irritava. — Os ninhos estão vazios, Rodrigo. Eles mudaram de posição antes de chegarmos.A fúria, que até então era uma chama controlada, explodiu. Girei o corpo e descarreguei um soco violento contra a parede de metal.. O som do impacto foi seco, e a dor que subiu pelo meu
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