O som da piano de Laura era a única coisa que mantinha a sanidade no lugar. Notas hesitantes de "Para Elisa" subiam e desciam pelo corredor, uma tentativa fofa e desengonçada que era o oposto absoluto do caos rodopiando dentro da minha cabeça. Eu estava deitada na cama, encarando o teto, tentando fazer um inventário mental que não envolvesse ele.Jaime, a formatura, o relatório final, meu diploma. A promessa de um emprego de verdade, uma vida estável depois que essa loucura acabasse. Eu deveria estar planejando, me animando.Mas meu cérebro, traidor, só tinha espaço para um looping constante do calor dos olhos dele na cozinha, a fúria contida dele na empresa, o peso do segredo dele no meu peito… aquele email sobre o subdiretor da R-N que eu tinha visto, a prova de que ele, Rodrigo, também estava envolvido naquela teia suja. E o pior, a memória do beijo, que insistia em voltar não como uma violação, mas como uma explosão de algo que eu nunca tinha sentido, algo que me assustava e m
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