No domingo, manter a rotina foi um desafio. Essa perna já estava me dando raiva. Tudo era difícil, tomar banho, ir beber uma água, qualquer coisa. Levei Laura ao parque que ficava no final da rua, no condominio, mas fiquei sentada num banco, observando-a correr e brincar com uma pontada de inveja da liberdade dela. Cada passo que eu dava com a muleta era um esforço consciente para manter o equilíbrio, tanto físico quanto emocional.Ela falou sem parar sobre o almoço na casa da Eliete, com seus olhos brilhando. Eu concordava, sorria, mas minha mente estava dividida entre a dor maçante na perna e a antecipação ansiosa da segunda-feira. Como eu faria para trabalhar na empresa dele, mancando assim? Seria mais uma vulnerabilidade, mais uma coisa que me faria parecer frágil diante dele.Quando voltamos, a casa estava silenciosa. Ele havia saído, segundo a Eliete. À noite, com Laura dormindo, me apoiei na muleta e arrastei-me até a cadeira do meu laptop. Criei um perfil falso em um fó
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