No aeroporto, tudo foi rápido e surreal. Sem filas, sem esperas. Um homem de terno nos conduziu direto pela pista até onde o jato particular, uma criatura branca e elegante, aguardava. Dentro, o mundo era feito de opulência discreta. Couro macio, madeira polida, um silêncio profundo que abafava até o ronco dos motores. Sentei em uma poltrona que parecia me abraçar, do lado oposto ao dele, perto da janela. Ele se instalou à frente, transformando a mesa ao seu lado em uma extensão do seu escritório. A decolagem foi tão suave que quase não percebi, sentindo apenas a pressão no peito e a cidade diminuindo até virar um tapete de luzes.E por um tempo, só houve o zumbido baixo do avião e o ruído dos meus próprios pensamentos catastróficos. Até que, sobre o oceano, uma trepidação começou.Era leve no início, como um balanço desagradável. Eu apertei os braços da poltrona, com meus dedos procurando algo sólido. Eu odiava avião. Odiava a sensação de estar presa em uma lata no céu, à mer
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