ARIEL MACEY Pedi para que o motorista me deixasse no centro da cidade, perto do Pike Place Market. Almocei sozinha em um bistrô barulhento, forçando-me a engolir uma salada que tinha gosto de papelão. Passei guardanapo na boca três, quatro, cinco vezes, até a pele ficar vermelha e ardida, mas a sensação de violação persistia. Olhei para o relógio. Uma da tarde. Eu tinha o dia todo de folga. Podia ir ao cinema sozinha, podia ir às compras, podia caminhar pela orla. Mas meus pensamentos, traidores como sempre, voaram para a mansão e para a minha menininha. "Você não tem para onde ir, Ariel", constatei, observando a chuva fina começar a cair lá fora. "Sua casa não é mais sua casa. Sua vida não é mais sua vida." Peguei o celular e chamei um carro novamente. Quando cheguei à mansão, a casa estava silenciosa. Alfredo me recebeu com um erguer de sobrancelhas, mas não fez perguntas. Subi direto para o quarto de Luna e dispensei a babá folguista. Luna estava sentada no tapete,
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