A música seguia baixa, elegante, quase um detalhe diante do burburinho constante do salão. Conversas se cruzavam, taças se tocavam, risadas surgiam e morriam com rapidez. A festa tinha vida própria agora, independente do discurso, das apresentações, do palco.Helena permanecia ao lado de Lucas, sorrindo quando necessário, respondendo perguntas genéricas, aceitando cumprimentos que vinham acompanhados de olhares curiosos. Não havia hostilidade ali. Era avaliação. E ela sentia.Lucas parecia confortável naquele papel. Movia-se com naturalidade, apresentava nomes, fazia comentários rápidos, puxava assuntos com segurança. Quando alguém se aproximava demais de Helena, ele automaticamente se colocava meio passo à frente, sem perceber. Um gesto antigo, protetor.— Quer sair um pouco daqui? — ele perguntou, inclinando-se para falar perto do ouvido dela. — Está quente demais.Ela assentiu no mesmo instante.Caminharam em direção a uma das portas laterais que davam acesso a um terraço discreto.
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