Quando chegou o momento dos votos, o jardim inteiro pareceu desacelerar.A música havia diminuído, o vento seguia percorrendo as árvores com um sussurro leve, e ainda assim tudo se recolheu ao espaço pequeno e absoluto entre eles. Havia convidados nas cadeiras, havia o celebrante diante do altar simples montado sob a árvore antiga, havia Lorenzo poucos passos atrás, observando com atenção séria demais para a idade. Mas, para Laena, o mundo naquele instante cabia apenas na forma como Dante a olhava.Não era o olhar de um homem emocionado por uma cerimônia bonita. Era o olhar de alguém que já havia atravessado luto, desejo, culpa, medo, proteção e escolha — e ainda assim estava ali, inteiro, oferecendo a ela o que tinha de mais definitivo.Dante recebeu do celebrante o papel dobrado onde havia escrito seus votos. Durante alguns segundos, porém, ele não o abriu. Permaneceu segurando as mãos de Laena, como se precisasse sentir a temperatura da pele dela antes de confiar nas próprias palav
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