A casa estava mais silenciosa do que o habitual naquela tarde.Depois da intensidade dos últimos dias, havia algo diferente no ar — uma calma que não vinha da ausência de acontecimentos, mas da sensação de que, finalmente, tudo havia encontrado um lugar.Laena estava na varanda, apoiada na grade de madeira clara, observando o jardim com atenção tranquila. A luz do fim de tarde se espalhava entre as árvores, desenhando sombras suaves sobre a grama, onde Lorenzo corria sem nenhuma preocupação com o tempo.Ele inventava jogos que só ele entendia, mudava as regras no meio da brincadeira e ria como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo.E, naquele momento, talvez fosse mesmo.Laena sorriu.Havia algo profundamente reconfortante em assistir aquilo.Durante muito tempo, ela acreditou que a vida era feita de ausências — de espaços vazios, de histórias interrompidas, de perguntas que não teriam resposta. Aprendeu a viver com o mínimo, a não esperar demais, a não criar raízes profund
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